Crise Imobiliária Norte-Americana afeta Guaíba e seus trabalhadores
A fábrica da Boise Cascade, localizada em Guaíba, interior do Rio grande do Sul, fechou suas portas esse mês após suportar alguns meses da crise imobiliária nos Estados Unidos. Ela fabricava laminados de madeira de eucalipto desde 2001, como trabalhava na maior parte com exportação acabou sendo prejudicada com a crise.
De acordo com a associação dos dirigentes de empresas do mercado imobiliário, além dos problemas no setor da construção civil, a valorização do real frente ao dólar e o aumento dos preços nos fretes marítimos contribuíram para o fechamento da fábrica. Desde o desativamento da fábrica já foram demitidos muitos funcionários. A Boise afirmou que eles receberão seus direitos e terão o apoio de uma agência de empregos para buscar novas oportunidades.
Cristiano Ribeiro, funcionário da empresa a seis anos, cedeu uma entrevista para falar da situação interna e da possibilidade da fábrica ser reaberta. De acordo com Cristiano, que trabalhava como técnico elétrico, cerca de 230 pessoas foram demitidas. Ele afirmou que no início da crise eles esperavam ser afetados, mas não acreditavam no fechamento da fábrica, no máximo em diminuição de produtos exportados.
Perder o emprego é ruim financeiramente para muitas pessoas, mas alguns casos são especiais. De acordo com Cristiano havia dois funcionários que dependiam muito do auxílio hospitalar. Um de seus colegas tinha uma esposa paralítica que ia ao médico com freqüência. Um outro tinha filha com problemas mentais, que também precisava de médicos e de remédios.
Uma crise que ocorreu em outro país conseguiu afetar uma cidade e moradores do interior do Rio Grande do Sul. Sobre isso o funcionário comenta: “Sem sombra de duvidas é uma perda, com este tipo de material éramos os únicos no mercado americano. Que a nossa comunidade de Guaíba vai sofrer com isto não há menor duvida. Só no numero de empregos gerados diretos e indiretos, é dinheiro que deixará de circular no comércio”.
Sobre a possibilidade de a fábrica voltar a funcionar ele afirma que existe, mas só se for com outro grupo e administração. Mesmo assim, isso ocorreria após um ou dois anos, se o mercado da construção civil voltar a se estabelecer.